• Ferraro Junior, N.

A Conduta Amorosa - Parte 1 - Leonard Cohen

Atualizado: Out 5

Obviamente, não existe um manual sobre como conduzir um romance ou como conquistar o amor das pessoas; Cada pessoa é única, portanto, não existem regras gerais. E talvez, seja este o ponto em comum. Tal informação, deverá despertar em ti, uma certa curiosidade e interesse em conhecer o outro; com certeza, já ouviram a máxima: "o que lhe torna interessantes é justamente o interesse que você demonstra". Este interesse tem que ser real. Não existe nada de mais desprezível na conduta das pessoas que o falso interesse em ti, e nada mais repugnante que uma pessoa interesseira.



Um certo dia, vovô Freud disse: “Aonde quer que eu vá, descubro que um poeta esteve lá antes de mim.” (só não me pergunte onde exatamente ele disse, porém consideraremos como sendo dele).


No poema: "Como Dizer Poesia", Leonard Cohen da algumas "dicas" sobre uma espécie de conduta amorosa, por isso selecionei alguns trechos aqui para elaborarmos uma espécie de "manual":

"Não é preciso estar-se apaixonado, nem estar-se apaixonado por borboletas. A palavra borboleta não é uma borboleta real. Existe a palavra e existe a borboleta. Se confundires estas duas coisas darás razão a quem queira rir-se de ti. Não atribuas grande importância à palavra. Estarás a tentar insinuar que amas as borboletas de uma forma mais perfeita do que qualquer outra pessoa, ou que compreendes a sua natureza?"

Para receber seu primeiro "tapa na cara", troque a palavra Borboleta, pelo nome de quem tenha interesse. Diríamos que o primeiro e o fundamental princípio é o de humildade. Você ainda não conhece a pessoa, se esforce (sem forçar) para conhece-la.

Nota: Existe a pessoa que você vê e a que ela demonstra para você. E existe a pessoa Real, aquela que muitas vezes, nem ela mesma conhece. Não atribua grande importância à aparência/físico, mas sim a própria essência dela.

Qual é a expressão exigida pela nossa época? A época não exige expressão nenhuma. (...) Não há nada que possas estampar no teu rosto que se equipare ao horror desta época. Nem sequer tentes. Apenas te sujeitarás ao desdém daqueles que sentiram profundamente as coisas.

Não cola cantadas baratas, elaboradas, ou qualquer outra coisa que não pertença a ti mesmo. Nunca demostre nada além daquilo que você é - uma hora a máscara cai; e, se a cantada for boa e fizeres despertar o interesse para você, o que mais terá a oferecer?

Estás a atuar diante de pessoas que passaram por uma catástrofe. Tal facto deverá tornar-te bastante discreto. Diz as palavras, transmite a informação, chega-te para o lado. Toda a gente sabe que estás a sofrer. Não poderás contar à plateia tudo o que sabes sobre o amor a cada verso de amor que disseres. Chega-te para o lado e as pessoas saberão o que tu sabes por já o saberes. Nada tens para lhes ensinar. Tu não és mais belo do que elas. Não és mais sábio. Não lhes grites. Não forces uma penetração a seco. É mau sexo (...) E lembra-te que as pessoas não desejam propriamente um acrobata na cama. De que é que nós precisamos? De estar perto do homem natural, de estar perto da mulher natural.

Amar e sofrer fazem parte de um mesmo pacote - indivisível; um não existe um sem o outo. Se você ama, irá sofrer, cedo ou tarde. Em geral, sofrerá muito. Todos nós já sofremos por amor, e ainda iremos sofrer mais; então, respeite a história daquele ao qual você mal conhece; e que bem provavelmente, nunca irá conhecer por inteira - e nem sequer tentes. Indubitavelmente não conseguirá, por mais que tentes, se esforces, você (e nem ninguém) nunca irá conseguir ter qualquer forma de empatia, se debaterá à toa, tentando em vão, compreender o outro e isto, gerará somente o desprezo de quem tentas compreender. Ao invés de tentar o impossível - a empatia. Basta o respeito, chega-te para o lado e respeite, sem querer entender, explicar e muito menos aliviar o sofrimento de outrem. A sua conduta deve ser de aluno, nunca de professor! Pois, nesta matéria, somos todos alunos; aqueles que tentam em vão ensinar a arte de amar, não passam de arrogantes inúteis. Tanto o Homem quanto a Mulher natural devem ser alunos, assim, devem buscar conhecer e aprender com o outro em uma escola que terminará somente no dia da tua própria morte.

Trata-se de uma paisagem interior. É por dentro. É privado. Respeita a privacidade do texto. Estas obras foram escritas em silêncio. A coragem da atuação é dizê-las. A disciplina da atuação é não as violar. Deixa que o público sinta o teu amor pela privacidade ainda que não haja privacidade. Sejam boas putas. O poema não é um slogan. Não poderá publicitar-te. Não poderá promover a tua reputação de seres sensível. Tu não és um garanhão. Tu não és uma mulher fatal. Toda essa treta relacionada com os bandidos do amor. Vocês são estudantes da disciplina. Não representes as palavras. As palavras morrem se as representares, murcham, e a única coisa que sobrará será a tua ambição.

Fale menos, se exiba menos, tenha atitudes silenciosas, seja humilde e transmita a informação sem dizer uma palavra se quer. Se não és capaz de tal façanha, não te atrevas a entrar na privacidade de ninguém, sem antes, compreender as tuas próprias sombras. Se o fizeres sem estar consciente de si mesmo, só sobrará tua ambição - no campo do amor, isto é o que há de mais desprezível.

Não fixes em mim os teus olhos ardentes ao falares de amor. Se quiseres impressionar-me ao falares de amor mete a mão no bolso ou por baixo do vestido e toca-te. Se a ambição e a sede de aplausos te levaram a falar de amor deverás aprender a fazê-lo sem te envergonhares a ti mesmo nem às tuas fontes.

Existe uma enorme diferença entre sensualidade, erotismo e pornografia. A ansiedade e falta de paciência dos tempos atuais em busca de uma recompensa fácil, barata e momentânea, faz com que a maioria das pessoas pule partes importantes na construção de relacionamentos sólidos. Encare a situação como uma escada, com etapas, não pule as etapas - da primeira conversa até a cama; existe um caminho muito mais interessante que o destino final propriamente dito. Caminhe, aprecie a vista, curta o momento. É como subir uma montanha, você passará a maior parte do tempo no caminho do que no topo. O objetivo é aproveitar o caminho em busca do destino final. Esperar pela cama, seria o mesmo que deixar de aproveitar a vida esperando a morte que chegará inevitavelmente. Resume-se em partes, com o trecho abaixo:

Não manipules o público à caça de bocas abertas e suspiros. Se mereceres as bocas abertas e os suspiros, isso não se deverá à avaliação que fizeres do acontecimento, mas à que o público fizer. Resultará da estatística e não do tremer da tua voz nem das tuas mãos a cortar o ar. Resultará dos dados e da discreta organização da tua presença.

Cohen, finaliza o poema com a citação abaixo, o que me faz concluir de que a todo o momento, ele estava a falar sobre amor e não sobre uma aula de como recitar poesia - embora, também o seja...


Evita os floreados.
Não tenhas medo da fraqueza.
Não tenhas vergonha do cansaço.
O cansaço dá-te bom ar.
O ar de quem seria capaz de nunca mais parar.
Agora, entrega-te aos meus braços.
Tu és a imagem da minha beleza.

Em uma de suas célebres frases, Cohen diz: "A poesia é a evidência da vida. Se a sua vida está queimando bem, a poesia é somente a cinza".

E, como bem sabemos, provavelmente alguém aqui estas a sofrer por amor. Se não o tiveres, fique tranquilo, em breve estarás. E para todos nós, sofredores; um trecho que nos dá uma certa dica de como devemos superar aquilo que já passou:

Diz as palavras com a exata precisão como que verificas uma lista de roupa suja. Não te comovas com a blusa de renda. Não fiques de pau duro ao dizer calcinhas. Não te arrepies todo só por causa da toalha. Os lençóis não deverão suscitar à volta dos olhos uma expressão sonhadora. Não é preciso chorar agarrado a um lenço. As meias não estão lá para te recordar viagens estranhas e longínquas. É só a tua roupa suja. São só as tuas peças de roupa. Não espreites através delas. Veste-as
Cohen também foi um monge, o que nos leva a conclusão de que, meditar ajuda.

Todo sofrimento deve ser vestido como roupas, usamos por um dia, depois a tiramos, colocamos pra lavar; e assim, sucessivamente, até que um dia, a jogamos fora. Em análise, você diz as palavras até praticamente extinguir todo o sentimento delas, transformando "meias sujas" em apenas meias. Promover essa mudança, não é uma tarefa fácil ou para leigos. Pois, se o fosse, até o livro mais barato de autoajuda o fariam para de sofrer e/ou te tornar um milionário da noite pro dia. Como defesa, criamos uma espécie de casulo, onde tentamos promover uma metamorfose inconsciente, a qual, só é obtida pela luz da análise:


Existe uma rachadura em tudo que existe.

É assim que a luz entra.

Leonard Cohen - Anthem - 1992


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