• Ferraro Junior, N.

O que faz um Psicólogo?

Motivo de dúvidas e frequente reclamações de clientes, a função do psicólogo é tão ampla, quanto complexa, varia de uma abordagem para outra e, também, entre diferentes psicólogos da mesma abordagem. Porém, alguns tipos de intervenções são comuns em ambas as abordagens.



De acordo com Fiorini (1998): As intervenções do terapeuta compreendem uma ampla diversidade de em tipos e alcances:

  1. Pedidos de informação e emissão de informação ao paciente com características que podem se aproximar do diálogo;

  2. Operações de enquadramento, em que se definem o tempo de duração do tratamento, as condições do mesmo, os direitos e obrigações do paciente, a relação ulterior com a instituição.

  3. Intervenções de esclarecimento, assinalamentos e confrontações, em que explicam aspectos significativos da conduta do paciente, dirige-se sua atenção para pontos nodais de sua comunicação, reformulam-se suas mensagens clarificando-as, em que são postas em relevo as contradições entre o verbalizado e a conduta manifesta em atos.

  4. Interpretações de tipo, alcances e profundidade diferentes, desde as que relevam o significado de comportamentos microscópicos até as formulações totalizadoras que iluminam as relações estruturais entre experiências significativas, condições atuais de descompensação, sintomas e conflitos subjacentes.


Estas formulações psicodinâmicas globais (interpretações "panorâmicas", sintéticas ou reconstrutivas) têm nesta técnica uma posição hierárquica primordial. Exigem do terapeuta o esforço de transformar sua compreensão do que ocorre em nível regressivo, do processo primário, em formulações que se referem à problemática atual, ao nível mais manifesto "em superfície" (Ibid).


Há ainda o "princípio da flexibilidade" aplica-se, em uma terapia breve, não apenas na individualização da mesma, baseada no conceito de que: "pacientes diferentes requerem tratamentos diferentes", como também na remodelação periódica da estratégia e das táticas, em função da evolução do tratamento: uma avaliação dinâmica continuamente atualizada leva a efetuar reajustamentos, por tentativas e erros, até obter o rendimento máximo do arsenal disponível.


Por fim, cabe resumir, que a função do terapeuta, varia de acordo com os níveis de intervenções e da abordagem do terapeuta, contudo, podemos resumir em 3 tipos de processos terapêuticos, são eles:


Terapia de Apoio: A terapia de apoio tem por objetivos a atenuação ou supressão da ansiedade e de outros sintomas clínicos, como meio de favorecer um retorno à situação de homeostase anterior à descompensação ou crise. Eventualmente procura modificar algumas linhas de comportamentos, estimulando o tentativas de aquisição de comportamentos novos durante a experiência terapêutica.

A estratégia básica desta técnica consiste em estabelecer um vínculo terapêutico encorajador, protetor, orientador. A função do terapeuta não é meramente a de “tela de projeções” e sim a de assumir efetivamente um papel encorajador diretivo. A relação interpessoal deverá ser claramente definida, isto é, os papeis e o trabalho a realizar devem estar claramente definidos (quanto menor a ambiguidade, maior a possibilidade de controle exercido pelo cliente sobre o Objeto perseguidor).


Terapia de Esclarecimento: Além dos objetivos da Terapia de Apoio, acrescenta-se em desenvolver no cliente uma atitude de auto-observação e um modo de compreender suas dificuldades diferente do que é fornecido pelo senso comum, isto é, mas próximo do nível de de suas motivações e de seus conflitos. O discurso torna-se mais complexo, já que abarca ao mesmo tempo o plano dos comportamentos manifestos e o das motivações latentes.

A estratégia fundamental consiste em estabelecer uma relação de indagação, centralizada no esclarecimento das conexões significativas entre a biografia, a transferência de vínculos básicos conflituosos para as relações atuais e sintomas. Tem o objetivo de proporcionar uma imagem global dessas interrelações, porém uma imagem centralizada em focos de descompensação e que se destina a clarificar especialmente a situação da crise. Tem também o objetivo de estimular a aprendizagem conducente à autocompreensão.


Psicanálise: A estratégia psicanalítica, tende a atacar a habitual dissociação do cliente em objetos bons e objetos perseguidores, ao favorecer a projeção de ambos no analista: tanto o objeto perseguidor como o idealizado são continuamente incluídos na relação médico-paciente (a diferença da terapia de apoio é total).

O analista tende a mover-se com certa margem de indefinição pessoal. Esta ambiguidade ataca o controle que o paciente tende a exercer sobre seus objetos perseguidores dissociados. O universo do discurso é complexo, dual, “todo acontecimento é sempre outra coisa”. O analista não visa apenas ou fundamentalmente a interpretar algo que ocorreu no passado, e sim o que está acontecendo neste momento. Tal técnica tende a criar uma relação terapêutica complementar complexa, no sentido de criar um vínculo paradoxal em que o analista está sempre one-up, mas nega-o, em parte; e, simultaneamente, reforça a complementariedade com o estilo interpretativo, na medida em que, sob transferência, é sempre ele quem tem a última palavra.


Importante também ressaltar, que dentro das mais de 280 abordagens existente de psicoterapia, todas elas, enquadram-se dentro dessa tríade estrutural; também não existem pesquisas confiáveis que apontam com segurança de que a abordagem X é melhor que a Y; o que diferencia-se é em relação à demanda, determinada estratégia é mais eficiente que outra, dentro de um contexto específico o que, também, não anula a eficiência da outra para tratar essa demanda. Cabe, então, ao terapeuta aplicar o "Princípio da Flexibilidade", assim, como cabe ao cliente/paciente optar por um psicólogo a qual se sintam seguros.


Se ainda lhe restam dúvidas, sinta-se a vontade para perguntar nos comentários abaixo.

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Psicólogo Noazir Ferraro Junior - CRP:08/13.953

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